#09 | A finitude da vida
E o que ela nos obriga a enxergar.
Existe uma pergunta silenciosa que acompanha quase todas as nossas decisões: o que fazemos com o tempo que temos?
Nem sempre pensamos nela de forma consciente. Fazemos planos, adiamos projetos, acreditamos que algumas conversas podem esperar e que certas decisões podem ser tomadas mais adiante. A rotina nos ajuda a seguir em frente como se o tempo fosse um recurso abundante.
Mas, de vez em quando, alguma experiência nos lembra que ele não é.
Foi isso que aconteceu com Paul Kalanithi, neurocirurgião e autor de “O último sopro de vida”. Aos 36 anos, no auge da carreira, ele recebeu um diagnóstico que mudou radicalmente sua relação com o futuro e o obrigou a antecipar perguntas que, até então, pareciam distantes.
O que torna a vida tão significativa
Antes de tudo isso, Paul já convivia diariamente com pessoas que precisavam tomar decisões difíceis. Como neurocirurgião, acompanhava pacientes diante de dilemas profundos:
Vale a pena abrir mão de algo importante para ganhar mais tempo? O que realmente sustenta quem somos? Quais aspectos da vida consideramos inegociáveis? Até que ponto o sofrimento compensa?
Essas perguntas atravessavam o dia a dia médico de Paul, mas também se conectavam à sua própria trajetória. Ao longo da vida, ele havia estudado literatura inglesa e biologia humana, tentando compreender o ser humano por diferentes caminhos.
A neurocirurgia o colocou justamente no encontro entre ciência e humanidade. Afinal, quando uma doença afeta a memória, a fala ou a capacidade de se relacionar com o mundo, tratar apenas o corpo não é suficiente.
É preciso olhar para a pessoa por inteiro, entender o que ela teme perder, o que ainda dá sentido aos seus dias e de quais partes ela não abre mão de jeito nenhum.
Durante anos, Paul ajudou seus pacientes a atravessar esse tipo de decisão. Até que, de repente, as perguntas que ele fazia no consultório deixaram de ser sobre os outros e passaram a ser sobre ele mesmo.
Quando o futuro deixa de ser uma certeza
Paul havia alcançado muito daquilo que imaginava para si. Tinha uma carreira promissora, cultivava o desejo de escrever e planejava formar uma família com Lucy, sua esposa.
Mas, diante do diagnóstico, os planos deixaram de ser uma linha contínua e passaram a ser escolhas conscientes.
Fazia sentido continuar investindo na carreira? Era o momento de escrever um livro? Valia a pena ter um filho? Como decidir o que vem depois quando as respostas parecem cada vez menos previsíveis?
A escolha de seguir vivendo
Há uma expectativa de que momentos difíceis tragam respostas definitivas sobre o que realmente importa. Mas a experiência de Paul aponta para outro caminho.
O que surgiu não foi uma grande revelação, e sim a decisão diária de continuar investindo naquilo que dava sentido à sua vida.
Ele escreveu. Trabalhou enquanto pôde. Fortaleceu seus vínculos. E escolheu ter uma filha com Lucy, mesmo sem saber quanto tempo teriam juntos.
Paul não viveu tempo suficiente para concluir seu livro. O capítulo final foi escrito por Lucy, que narra os últimos meses do marido e a alegria que encontraram no nascimento da filha.
Talvez seja justamente esta a reflexão que sua história nos deixa: a consciência de que o tempo é limitado não serve apenas para nos lembrar do fim, mas para iluminar aquilo que merece ocupar nossos dias enquanto estamos aqui.
Para refletir:
Nos relacionamentos: Como você gostaria de ser lembrado pelas pessoas que ama?
No trabalho: O que você faria da sua carreira se não tivesse nada a perder?
Na saúde mental e física: O que você faria diferente se fosse diagnosticado com uma doença terminal?
Para aprofundar:
📖 A morte é um dia que vale a pena viver: Reflita como a consciência da finitude pode transformar a maneira que você vive o presente.
📖 Vida inteira: Descubra como encontrar sentido, coragem e esperança mesmo diante dos momentos mais difíceis da vida.
📖 Uma boa vida: Entenda por que bons relacionamentos são o principal fator para uma vida longa, saudável e feliz.
Sextante indica:
“Quero indicar o livro “Pela segunda vez”. Depois de uma ressaca literária considerável, retomei o hábito da leitura na companhia de um dos meus autores preferidos: Mitch Albom.
Ao pensar na finitude da vida, é natural questionar “o que eu faria de diferente se tivesse mais uma chance?”. Diferente do personagem Alfie (que tem o dom de voltar no tempo pelo menos uma segunda vez), temos apenas uma única chance de viver os instantes, então, se não posso corrigir os erros, como aceitar o que aconteceu e tentar seguir adiante fazendo as melhores escolhas?
O livro funcionou para mim como uma espécie de oráculo, como um lembrete de que algumas sensações ou impressões são deixadas uma única vez. Então te pergunto: já que você não pode voltar no tempo, o que está fazendo para viver da melhor forma com o tempo que resta? O relógio está contando...”
Onde ler: Sextante
Fillipi Oliveira
Comercial
Confira nossos lançamentos do mês:
Murdoku 2: Manuel Garand leva os leitores a diferentes épocas da História em mais de 80 novos enigmas que combinam investigação e raciocínio lógico.
Supercorpo: Com base em descobertas recentes, o médico William Li mostra como fortalecer os mecanismos de defesa do organismo e explica de que forma alimentação e estilo de vida podem contribuir para uma vida mais saudável e longeva.
O último sopro de vida: O neurocirurgião Paul Kalanithi narra sua experiência após receber um diagnóstico terminal e reflete sobre propósito, escolhas e o que realmente dá sentido à vida quando o futuro deixa de ser uma certeza.
A biologia do trauma: A médica Aimie Apigian explica como experiências traumáticas afetam o sistema nervoso e apresenta caminhos para restaurar a sensação de segurança, equilíbrio e bem-estar por meio da conexão entre corpo e mente.
Pela segunda vez: Em uma história sobre amor, escolhas e segundas chances, um homem capaz de reviver momentos do passado descobre que a busca por uma vida perfeita pode colocá-lo diante da possibilidade de perder justamente aquilo que tem de mais valioso.
Sem culpa: A psicóloga Andrea Bonior questiona a ideia de que sentir culpa é sempre um sinal de responsabilidade e apresenta estratégias para identificar quando ela nos ajuda a crescer e quando apenas alimenta padrões de autocrítica e sobrecarga.
A vida foi feita para dar certo: Com quase cinco décadas de experiência em Meditação Transcendental, Klebér Tani reúne ensinamentos, histórias e reflexões que convidam o leitor a reencontrar a própria essência e despertar da consciência.
Mini Lojas/Mini Casas: Repleto de adesivos e cenários, o livro convida crianças e adultos a montar pequenos ambientes, estimulando a criatividade, a imaginação e momentos de relaxamento.
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